O Headshaking é definido como um conjunto de movimentos muitas vezes espontâneos e repetitivos de cabeça e pescoço do equino, podendo ser tanto na horizontal quanto na vertical (Watson,2018). O headshaking pode apresentar diversas etiologias, e estar associada a anormalidades estruturais ou anatômicas, incluindo:
Problemas dentários;
Anomalias da bolsas guturais;
Sinusite;
Doença ocular;
Disfunção de nervos cranianos;
Ácaros da orelha, carrapatos ou corpos estranhos;
Lesões de cervical;
Osteoartrite da Articulação Temporo-hióide;
Doença Degenerativa da Articulação Temporomandibular.
Síndrome de Headshaking mediado pelo Nervo Trigêmeo
Quando se trata de uma lesão no nervo trigêmeo, os sinais clínicos aparentes são: movimentos verticais violentos com a cabeça, sons audíveis na respiração, angústia, desconforto e comprometimento nasal. Essa lesão pode causar uma diminuição no comprimento dos axônios tanto mielinizados quanto não mielinizados. Os axônios lesionados tentam se restaurar com o crescimento de novos axônios para corrigir a continuidade, sendo essa uma reação normal em consequência da lesão.
O diagnóstico de Headshaking mediado pelo nervo trigêmeo baseia-se em uma exclusão de outras possíveis causas, histórico detalhado do animal, observação dos sinais clínicos e identificação de possíveis fatores desencadeantes, como exposição à luz solar, vento ou exercício (Thomson et al., 2019).
Roberts (2018) diz que o suposto diagnóstico de Headshaking mediado pelo nervo trigêmeo resulta em uma resposta positiva ao bloqueio anestésico local do nervo maxilar.
Segundo Lane & Mai (1987), Madigan & Bell (2001), e Mills, Cook, Taylor & Jones (2002), grande parte dos equinos com essa patologia mediada pelo nervo trigêmeo apresenta-se sazonal, com maior intensidade na Primavera, diminuindo no Outono e, sendo mais comum em equinos machos castrados. Na primavera e no verão ocorre uma diminuição da secreção de melatonina, permitindo uma secreção de GnRH que, consequentemente estimula a produção e libertação de LH e FSH, originando maiores concentrações das mesmas na Primavera e Verão (Irvine & Alexander, 1997, referido por Sheldon et al., 2019). No geral, os equinos castrados possuem menor quantidade de testosterona de origem gonadal e, consequentemente, menor capacidade de exercer o mecanismo de feedback negativo na produção de gonadotrofinas culminando em maiores níveis de LH e FSH (Thompson, Johnson, George, & Garza, 1986, referido por Pickles et al., 2011).
HEADSHAKING ASSOCIADA À CLAUDICAÇÃO?
Outro fator muito interessante, é o fato de muitos equinos apresentarem claudicação não diagnosticada, mesmo após bloqueios anestésico da origem da claudicação, porém, nesses casos, é observado uma melhora significativa dos sinais de Headshaking, concluindo então, que o movimento vertical, horizontal, ou circular da cabeça do quino não é patognomônico de Headshaking e pode ser indicativo de dor músculo-esquelética.
CONCLUSÃO
Quando não associado à claudicação, o Headshaking severo muitas vezes acaba resultando na eutanásia do animal, uma vez que a qualidade de vida do mesmo decai de forma abrupta.
M.V Ricardo Prianti